Conselhos para a detecção do cio

Javier Gil Pascual
23-Nov-2020 (há 5 anos 5 meses 6 dias)

O macho

É muito importante trabalhar bem com o macho. É habitual ver em granjas médias ou grandes o uso do mesmo macho durante 50-60 minutos ou mais, passando na gestação pelo lote das porcas desmamadas, pelas possíveis repetições e, inclusive, pelas futuras reprodutoras.

Deve-se ter em conta que o macho tem um limite: o seu nível de detecção de cios mantém-se aceitável durante 15-20 minutos, mas depois decai. O mesmo se passa sobre a sua capacidade de estimulação das porcas. Após esse período, o seu efeito estimulante nas porcas decai. Por isso é importante usar diferentes machos.

Deve-se destacar um aspecto que poucas vezes se tem em conta. A porca mais difícil de detectar o cio é a porca que faz retorno ao cio ou todas as que estão fora de um protocolo previsível. Para o entender melhor, podemos usar um exemplo bastante gráfico: um grupo de porcas desmamadas, ou as nulíparas que estão num lote com um cio previamente diagnosticado, geram um nível hormonal feromônico no ambiente. É como se estivessem "numa festa". Isto faz com que expressem facilmente o cio e que a detecção nestes grupos seja relativamente fácil. Pelo contrario, uma porca vazia que repete o cio no meio de outras porcas que estão gestantes, é como se estivesse num "enterro". Isso torna-a muito mais difícil de diagnosticar.

Muitas vezes chegamos a estas zonas de possíveis repetições depois de já ter trabalhado durante muito tempo com as porcas desmamadas e passa-se a toda velocidade e com o macho já cansado. A consequência disto é um mau diagnóstico dos cios das porcas que fazem retornos. Por isso, por vezes, vemos granjas com baixo número de repetições cíclicas (18-24 dias) mas um elevado número de repetições de duplo ciclo (36-42 dias). Outro caso similar é o que gosto de definir como falsas acíclicas: porcas às quais não fomos capazes de detectar cio aos 21 dias, depois são diagnosticadas como negativas no ultrassom e que, depois de uma relocalização ou movimentação, entram em cio 3-4 dias mais tarde. Oficialmente classificam-se como acíclicas, mas não o são realmente.

Como resumo, a detecção do cio deveria seguir estes passos:

Como deve agir o pessoal durante a detecção de cio?

O seu comportamento deve parecer-se, o máximo possível, ao comportamento de um macho. Deve-se recordar que um macho, perante uma porca em cio, começa por se aproximar, "mostrando-lhe o seu odor", cheirando-a, grunhindo, mas depois dá-lhe golpes nos flancos, levanta-a por trás, etc. até a monta, devendo a porca aguentar os 250-300 kg do macho.

É importante ter isto claro, de forma a fugir de dois tipos de detecção de cio que acontecem com frequência nas granjas e que são incorretos: a detecção de cio excessivamente suave onde praticamente só se acariciam as porcas e o extremo oposto, onde um contato demasiado agressivo ou de supetão e sem aviso prévio que a única coisa que faz é assustar as porcas e impossibilitar que mostrem o reflexo de imobilização.

Portanto, é necessário aproximarmo-nos da porca com suavidade, "avisá-la" de que estamos vendo se ela está em cio. Mas depois será necessário pressioná-la com alguma intensidade e, inclusive, metermo-nos em cima dela para confirmar esse reflexo de imobilização.

Es imprescindible detectar el celo con el macho delante de las cerdas

Temos que considerar que há sempre um grande número de porcas que vão mostrar o seu cio ainda que o manejo não seja o ideal e que o trabalho bem feito, o trabalho "fino", ajuda-nos com essas porcas que apresentam cios menos evidentes ou mais difíceis. Isto é o que faz a diferença e que nos permite atingir os melhores resultados.

As nulíparas

Como já comentámos na estimulação, o primeiro cio detectado nas futuras reprodutoras deve ser com contato direto com os machos na baia. Assim as nulíparas entram mais cedo em cio, minimizando a quantidade de nulíparas sem cio do que quando estão alojadas em gaiolas.

Nestes casos, o papel do produtor não se pode limitar a ficar fora da baia observando, deve estar dentro assegurando que cada uma das marrãs entra em contato com o macho ou machos de detecção de cio, assegurando que se produz o reflexo de imobilização e impedindo, ao mesmo tempo, que se produzam interações muito agressivas que possam causar dano às marrãs.

machos hermanados

Existe um horário ótimo para a detecção de cios?

Obviamente a porca deve ter comido antes da detecção de cio. No mínimo deve-se deixar passar 45-50 minutos após a refeição, para que a porca esteja tranquila.

Não obstante, para mim, o importante não é se ocorre às 8h ou às 10h da manhã. O fundamental é que haja uma rotina de trabalho. A detecção de cios deve ser realizada sempre à mesma hora. Do mesmo modo, é fundamental que haja pouca variação nas pessoas que se encarregam deste trabalho já que cada pessoa tem uma sensibilidade diferente na detecção do cio e se vamos variando de responsável, prejudicaremos a fertilidade. Claro que há férias e fins-de-semana que obrigam a variações de pessoal, mas dentro do possível a variação deve ser mínima.

Trabalhar com machos descansados e ter um manejo adequado por parte dos tratadores é indispensável para detectar o cio adequadamente.

No próximo artigo falaremos das medidas necessárias para realizar corretamente a inseminação.