Redação 333
14-Ago-2026 (há 2 meses 10 dias)Entre 11 e 13 de agosto, o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) e a 17ª Brasil Sul Pig Fair, promovidos pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), reuniram especialistas brasileiros e internacionais em torno de um mesmo fio condutor: biossegurança, nutrição e gestão avançam juntas, mas nenhuma delas resolve sozinha o desafio que fechou a programação: formar e reter as pessoas que fazem a granja funcionar.
O Brasil na geopolítica das proteínas
A programação abriu, ainda na terça-feira, com uma camada mais macro: o fluxo produtivo da matriz ao abate e uma leitura sobre o futuro da proteína suína, apresentada por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A palestra de abertura oficial, de Marcos Jank, professor sênior de agronegócio global do Insper, tratou da nova geopolítica dos alimentos, pano de fundo que ajuda a explicar por que o Brasil vem ganhando espaço como fornecedor global de proteína animal justamente num momento de reconfiguração das cadeias internacionais.

Doença sob controle, mas sem descanso
O maior volume da programação técnica ainda foi ocupado por sanidade. O Painel Biovigilância – Gestão Integrada, com o médico-veterinário espanhol Jordi Baliellas Capdevila e o brasileiro Alisson Mezalira, tratou de biomanagement e do controle de vetores como roedores e insetos — rotas conhecidas de disseminação de patógenos entre granjas. Horas depois, o Painel Sanidade – Saúde Respiratória levou ao palco os médicos-veterinários Gustavo Silva, da Iowa State University, e Paul Yeske, vencedor do Howard Dunne Memorial Award em 2024, para apresentar protocolos de exposição, estabilização e eliminação usados na erradicação do Mycoplasma hyopneumoniae. O agente segue como uma das principais causas de perdas respiratórias em suínos mesmo em granjas com protocolos vacinais consolidados — o que explica por que o tema volta a ocupar espaço central em simpósios como o SBSS, edição após edição.
Nutrição também virou ferramenta sanitária
O Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades mostrou até que ponto a fronteira entre nutrição e sanidade já se dissolveu. José Soto, da Alltech, tratou da programação imuno-nutricional da matriz ao leitão; Andres Gomez, da University of Minnesota, apresentou estratégias não farmacológicas de resiliência sanitária ligadas ao microbioma intestinal; e Ricardo Rauber, CEO da Samitec, discutiu vigilância analítica para gestão de micotoxinas. Os três temas apontam para a mesma direção: usar a dieta como primeira linha de defesa sanitária, reduzindo a dependência de intervenções farmacológicas sem abrir mão de desempenho.
O item que fechou a programação: pessoas
Foi último painel que resumiu o tom do encontro. Em vez de encerrar a programação científica com um tema técnico, o SBSS optou pelo Painel Pessoas – Gestão e Performance, com Creici Lamonato tratando de comunicação estratégica, Rogério Facin de sucessão e formação de lideranças, e Anderson Queirós do que o setor já chama de apagão de mão de obra qualificada.

Em paralelo à programação científica, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reuniu fornecedores de sanidade, genética, nutrição, equipamentos e tecnologia, a ponte prática entre o que foi discutido nos painéis e o que já está disponível para as granjas aplicarem.
No fim, a lógica da própria programação resume o recado do 18º SBSS: o setor domina cada vez melhor a ciência da produção: erradicar doenças, blindar a nutrição, disputar espaço no comércio internacional. O que ainda falta equacionar, segundo a curadoria do evento, é a parte que nenhuma tecnologia substitui: as pessoas que fazem tudo isso acontecer, todos os dias, dentro da granja.