Granja integrada da Seara JBS na região de Dourados (MS) é a 1ª do Brasil com certificação no nível Alto Bem-Estar Animal pela Produtor do Bem®

Redação 333 Brasil

29-Jul-2026 (hoje)

A Granja Maranata, unidade suinícola integrada à Seara JBS na região de Dourados, Mato Grosso do Sul, tornou-se a primeira granja de suínos do Brasil certificada no nível Alto Bem-Estar Animal pela Produtor do Bem®. Trata-se de uma unidade com 3 mil matrizes.

Entre os diferenciais da granja estão a maternidade com alto nível de bem-estar animal, que possibilita às fêmeas liberdade para girar 360 graus e encontrar melhor posição de conforto, e a gestação segue o sistema de cobertura seguida de alojamento em grupo (modelo cobre e solta), reduzindo o período de confinamento individual das fêmeas. A densidade de alojamento na gestação é de 2,5 m² por fêmea, parâmetro alinhado aos padrões da União Europeia para sistemas coletivos, e todas as baias de gestação coletiva e maternidade contam com dois tipos de enriquecimento ambiental. Além disso, o desmame aos 28 dias também é um requisito para a certificação.

O manejo da granja é feito em sistema de bandas, com lotes que avançam juntos pelas fases de produção, favorecendo o vazio sanitário entre ciclos e o controle de biosseguridade da unidade. A granja é livre de Mycoplasma hyopneumoniae e de Actinobacillus pleuropneumoniae (App), dois dos principais agentes do complexo respiratório suíno. O primeiro lote da unidade já foi desmamado, com resultados de desempenho similares aos observados em uma granja convencional.

Cícero Tecchio, especialista de produção de suínos da Seara, conta que esta é a primeira granja que aplica o modelo em larga escala. Ele também detalha que o piso das baias de gestação combina uma área compacta e sólida, onde a fêmea pode permanecer deitada sempre que quiser, com o restante em piso vazado, que facilita a limpeza e a locomoção dos animais. Cada baia recebe entre 18 e 20 fêmeas, que permanecem juntas do início ao fim do ciclo e são formadas por critério de faixa etária e ordem de parto, reunindo animais de tamanho semelhante. A alimentação segue a dieta elaborada pelos nutricionistas da empresa, com dois tratos diários, o que, segundo ele, proporciona mais conforto às fêmeas e é ajustada conforme o escore corporal observado em cada baia.

A conquista antecipa parâmetros que só se tornarão obrigatórios para toda a suinocultura brasileira em 2045, prazo definido pela Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), primeira norma federal dedicada especificamente ao bem-estar de suínos em granjas comerciais. Pela IN 113, novos empreendimentos já devem nascer adaptados à gestação coletiva; granjas construídas antes da norma têm até 2045 para se adequar. A Maranata, projetada dentro desses parâmetros desde o início, também dá sequência ao compromisso público assumido pela JBS, controladora da Seara, em 2015, de levar toda a produção própria e integrada ao alojamento coletivo de matrizes, modelo conhecido como cobre e solta..

Vamiré Sens Júnior, gerente executivo de Agropecuária da Seara, destacou que a decisão da Seara de buscar um nível mais exigente de bem-estar reflete a busca constante da empresa por informação e capacitação técnica, fatores que, segundo Vamiré, ajudam a definir os rumos futuros da suinocultura. Para ele, o passo deve fomentar avanços expressivos na fase de maternidade e ajudar a entender como a qualidade da ambiência, do alojamento e do espaço disponível se relaciona com o desempenho de fêmeas e leitões, resultando em maior capacidade produtiva. A unidade é a primeira granja do país com maternidade com alto nível de bem-estar animal.

Denis Farenzena, produtor integrado responsável pela granja, reconhece que o projeto superou uma barreira historicamente apontada como difícil pelo setor: "Estamos superando algo que sempre foi falado que era muito difícil. É algo que veio para ficar." Segundo ele, a decisão de investir no novo padrão combinou exigência de mercado e interesse próprio por inovação, com apoio da Seara para adaptar o projeto da obra e iniciar a produção já dentro dos novos parâmetros. O produtor afirma que todas as fases produtivas já foram testadas com resultado positivo, incluindo desmame de 28 dias, e destaca que o investimento inicial foi mais alto que o de uma granja convencional, assim como o esforço, no pós-implantação, para colocar toda a estrutura em pleno funcionamento.

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Sobre a certificação Produtor do Bem®

O selo avalia o bem-estar de suínos em três níveis progressivos (Mais Bem-Estar, Alto Bem-Estar e Altíssimo Bem-Estar), com critérios que abrangem densidade de alojamento, enriquecimento ambiental, manejo, transporte e abate. Os requisitos têm como base os cinco domínios de Mellor, modelo científico de avaliação de bem-estar animal utilizado como referência em certificações internacionais do setor, e a classificação em cada nível depende do cumprimento de indicadores-chave definidos no protocolo da certificadora, verificados por auditoria independente realizada anualmente.