Lesões nos cascos acessórios e achinelamento em porcas

Ton Kramer
20-Jul-2026 (ontem)

As porcas com claudicação apresentam intervalos desmame-cobertura mais longos e menores taxas de concepção. Essas condições são multifatoriais, influenciadas pela genética, pelo crescimento rápido, por deficiências nutricionais e pelas condições de alojamento, e exigem uma abordagem preventiva e sistemática.

Crescimento excessivo dos cascos acessórios: reconhecer e agir

Os cascos acessórios normalmente não tocam o solo e sofrem um desgaste natural mínimo. Por isso, seu crescimento excessivo é inevitável à medida que as porcas envelhecem e aumenta o número de partos. Quando ultrapassam 3 cm de comprimento, podem chegar a tocar o solo e ficar presos nos pisos ripados, provocando lacerações que deixam exposto o córion sensível, criando uma via direta para a dor e as infecções.

A qualidade da água é um fator frequentemente negligenciado: concentrações elevadas de sólidos dissolvidos totais, ou TDS, na água de bebida apresentam correlação positiva com o crescimento excessivo dos cascos principais e acessórios, provavelmente devido a alterações no equilíbrio ácido-base e hidroeletrolítico que afetam os padrões de crescimento do tecido córneo. Analisar a composição química da água, incluindo seu conteúdo mineral detalhado, em granjas com problemas é uma etapa diagnóstica simples e frequentemente ignorada.

Medidas práticas

Realizar o corte rotineiro dos cascos acessórios. O método mais prático consiste em cortá-los na maternidade enquanto as porcas estão deitadas, utilizando um alicate para tubos de PVC, conforme mostrado na imagem abaixo. Trata-se de um procedimento rápido e pouco estressante tanto para o animal quanto para o operador.

Achinelamento: um desafio multifatorial

A quartela — articulação que conecta a parte inferior do membro ao casco — é sustentada por ligamentos e tendões que precisam suportar as exigências mecânicas cada vez maiores de uma porca em crescimento. Quando esse sistema de sustentação falha, a porca caminha com as quartelas hiperestendidas, deslocando o peso para estruturas sensíveis, como o osso navicular, conforme mostrado nas imagens. O resultado é dor, desgaste anormal dos cascos e claudicação progressiva.

O achinelamento (apoio plantar) é provocado por diversos fatores inter-relacionados: genética, ritmos de crescimento rápidos demais para a adaptação dos tendões e ligamentos, deficiências nutricionais de macro e microminerais e condições de alojamento que exercem estresse biomecânico excessivo sobre articulações imaturas.

Alojamento e tipo de piso: o ambiente condiciona os resultados

Os fatores ambientais influenciam consideravelmente os traumatismos biomecânicos. Substituir pisos com ripas estreitas de aço por ripas de ferro fundido ou de concreto com bom acabamento pode ajudar a prevenir lesões nos cascos acessórios, reduzindo bordas afiadas e aberturas nas quais cascos acessórios com crescimento excessivo podem ficar presos e se romper.

Além disso, é importante prestar atenção às transições entre os tipos de piso. As leitoas devem passar do piso plástico macio da creche para o piso de concreto antes de atingirem 25 kg de peso vivo, favorecendo um melhor desgaste do tecido córneo dos cascos. Isso evitará o crescimento excessivo dos cascos e também o estresse biomecânico que as articulações e os cascos imaturos ainda não estão preparados para suportar.

Embora o exercício seja benéfico, o excesso de espaço nos alojamentos coletivos pode aumentar o risco de escorregões e de abertura excessiva dos membros, gerando estresse traumático nos ligamentos de sustentação.

Nutrição: a base da integridade estrutural

A nutrição é fundamental para o bom funcionamento dos ligamentos e tendões que mantêm a resistência das quartelas.

Genética: seleção para robustez

O achinelamento apresenta herdabilidade moderada e, portanto, é uma característica passível de melhoria por meio da seleção genética. A avaliação da postura das quartelas, tanto dianteiras quanto traseiras, deve fazer parte dos critérios de seleção das leitoas, juntamente com outras características da estrutura dos membros. O descarte precoce de leitoas com angulação inadequada das quartelas, antes de sua entrada na granja de reprodutoras, é muito mais rentável do que manejar as consequências ao longo dos sucessivos partos.

Lista prática de verificação do manejo

Conclusão

As lesões nos cascos acessórios e o achinelamento podem ser prevenidos e tratados quando abordados de maneira sistemática. Combine o corte rotineiro, um piso adequado, uma nutrição otimizada em macro e microminerais e a seleção genética para uma boa conformação estrutural. As granjas que incorporam essas práticas aos seus protocolos-padrão alcançam, de forma consistente, maior bem-estar das porcas, vida produtiva mais longa e melhor desempenho reprodutivo.