Saúde animal recebe apenas 0,6% dos investimentos globais em saúde, apesar do aumento das crises sanitárias, alerta novo relatório

06 de julho de 2026/ OMSA.
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10-Jul-2026 (hoje)

O mundo está falhando em investir na saúde animal, apesar das evidências cada vez mais robustas de que o custo da inação supera amplamente o custo da prevenção. Essa é a principal conclusão do relatório anual State of the World’s Animal Health, publicado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O documento destaca que as doenças animais destroem mais de 20% da produção animal global todos os anos. Esses impactos são sentidos de forma mais intensa nos países de baixa e média renda, onde a saúde animal desempenha um papel fundamental na manutenção dos meios de subsistência, da segurança alimentar e da resiliência econômica. Ao mesmo tempo, sistemas com recursos insuficientes enfrentam dificuldades para detectar e responder precocemente às doenças, além de desafios para manter os padrões de bem-estar animal.

As recentes reduções nos orçamentos da ajuda internacional agravam ainda mais essa situação. A assistência internacional ao setor de saúde caiu para aproximadamente US$ 39,1 bilhões em 2025, e a saúde animal representa menos de 2,5% desse total. Nesse contexto, o fortalecimento dos sistemas de saúde animal — infraestrutura compartilhada que protege contra doenças de ocorrência natural, liberações acidentais e ameaças biológicas deliberadas — continua subfinanciado, apesar de seu papel essencial no gerenciamento de riscos transfronteiriços, incluindo doenças emergentes e outras ameaças biológicas.

O relatório destaca que elevar os Serviços Veterinários de todos os países aos padrões internacionais custaria aproximadamente US$ 2,3 bilhões por ano, valor inferior a 0,05% dos US$ 3,6 trilhões em perdas econômicas atribuídas à COVID-19 em 2020 — doença que, muito provavelmente, teve origem em uma fonte animal, embora sua origem exata e a rota de transmissão para humanos ainda não tenham sido estabelecidas de forma definitiva.

Setenta e cinco por cento das doenças infecciosas emergentes em humanos têm origem em animais, tornando os sistemas de saúde animal a primeira linha de defesa do mundo contra surtos, incluindo uma possível próxima pandemia. No entanto, o relatório indica que esses sistemas estão sob pressão: 18% dos países avaliados recentemente apresentaram redução na capacidade dos serviços veterinários, enquanto 22% registraram queda na capacidade de seus profissionais paraveterinários.

Com base na avaliação de 54 países e territórios realizada pela OMSA, estima-se que seria necessário um aumento médio de 52% nos orçamentos para cobrir o custo anual real de serviços veterinários eficazes. O programa Performance of Veterinary Services (PVS), da OMSA, oferece aos países uma avaliação independente de seus sistemas de saúde animal e um roteiro personalizado para seu aprimoramento. Como resultado positivo, após as atividades recentes do PVS, mais da metade dos países participantes relatou aumento nos recursos financeiros destinados ao setor.

O relatório conclui com um apelo para que os governos ampliem os investimentos nos sistemas de saúde animal e os integrem às estratégias mais amplas de saúde, economia e segurança; para que os parceiros de desenvolvimento direcionem seus recursos à prevenção de longo prazo, em vez de apenas responder às crises; e para que instituições financeiras e o setor privado reconheçam a saúde animal como um investimento de alto impacto.