OCDE e FAO/ 2026. Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2026–2035. Paris e Roma.
06-Jul-2026 (há 2 dias)O consumo global de carne deverá atingir cerca de 412 milhões de toneladas até 2035, um aumento de 12% em relação ao período-base. Esse crescimento reflete a continuidade do aumento populacional, a elevação da renda e, em muitas economias emergentes, o aumento do consumo per capita, sustentado por preços reais da carne relativamente moderados em comparação com os picos recentes. No entanto, espera-se que o ritmo de crescimento do consumo per capita desacelere em relação à década anterior, refletindo mudanças demográficas e nas preferências alimentares.
Espera-se que o consumo global per capita aumente cerca de 0,7 kg em equivalente de peso comercializável comestível no varejo (rwe) ao longo do período das projeções. Até 2035, ele deverá atingir quase 30 kg per capita. Esse crescimento representa menos da metade do aumento observado na década anterior. Nos países de alta renda, o envelhecimento da população, os preços mais elevados da carne vermelha e as crescentes preocupações com saúde, meio ambiente e bem-estar animal devem limitar um crescimento adicional, embora a demanda tenha se mantido resiliente em alguns mercados. Nos países de baixa e média renda, o consumo per capita permanecerá muito abaixo dos níveis registrados nos países de alta renda.
Ao longo do período das projeções, a carne de aves responderá, de longe, pelo maior aumento absoluto no consumo, com crescimento de 29 milhões de toneladas (+20%). A carne ovina também apresentará crescimento relativamente rápido, aumentando em 3 milhões de toneladas (+20%), enquanto a carne bovina crescerá em 6 milhões de toneladas (+8%) e a carne suína terá um aumento mais modesto, de 6 milhões de toneladas (+4%).
A carne suína contribuirá com 13% do crescimento do consumo global de carnes. No entanto, em termos per capita, projeta-se que o consumo diminua cerca de 4% em relação ao período-base de 2023 a 2025, refletindo o lento crescimento da demanda nas regiões de alta renda, especialmente na União Europeia, onde as preocupações ambientais e as mudanças nas preferências alimentares pesam sobre o consumo. Essa queda global per capita reflete o crescimento populacional mais acelerado em regiões onde a carne suína é menos consumida. Surtos de doenças animais e restrições de biosseguridade podem afetar a disponibilidade e os preços da carne suína em algumas regiões, moderando potencialmente o crescimento da oferta em comparação com a carne de aves. Os maiores aumentos per capita são projetados para a América Latina, em torno de +1,2 kg per capita/ano até 2035, sustentados pela relação favorável entre os preços da carne suína e da carne bovina.