A monitorização interna frente a PRRS estabelecida neste CIA está baseada em:
Em 7 de abril de 2024, durante a monitorização regular do Centro, duas amostras PCR positivas para o vírus da PRRS (PRRSv) em cachaços de um dos dois galpões, dispararam a colocação em funcionamento imediato do protocolo de emergência:
A possibilidade de dispor de um laboratório operativo durante a noite permitiu avançar rapidamente na análise. Os resultados dos testes realizados entre 7 e 8 de abril em 100% dos animais confirmaram os temores: 11 de 261 cachaços do Galpão 2 (G2) eram positivos por PCR ao vírus. Em contraste, nenhum dos 267 animais do Galpão 1 (G1) apresentava resultados positivos.
Este achado marcou um ponto de inflexão: a partir desse momento, começou uma corrida contra o tempo para:
Estruturalmente, o G1 tem sistema de cama profunda e o G2 é de ripado total. Ambos os galpões são idênticos e situados de forma paralela. A separação entre os mesmos é de 10 metros. Ambos têm ventilação negativa com extração ao final de cada galpão e resfriadores nas entradas de ar laterais, mas não são filtradas.
Anteriormente ao surto o pessoal de cada galpão era independente, mas o fluxo de entrada do pessoal era comum para todos, com ducha na entrada e na saída do Centro e acesso ao G1 e, seguidamente, os trabalhadores do G2 se dirigiam para seu galpão com roupa e calçado de "trânsito" onde na entrada realizava-se uma ducha "seca" completa (troca de roupa e calçado) em uns vestiários com zona limpa e suja bem delimitada (figura 1).

Desde o primeiro dia a prioridade foi clara: manter G1 livre de PRRS para retomar a produção quanto antes. Para isso, aplicaram-se medidas diferenciadas de alta precisão:
Isolamento imediato e zonificação interna
Bloqueou-se completamente a comunicação entre o G1 e o G2 desde o momento do primeiro resultado positivo.
Implementaram-se fluxos individuais e independentes para pessoal, tarefas, materiais e resíduos. A partir do dia 8 de abril, a entrada no G2 se estabeleceu pelo exterior com ducha de entrada e saída habilitada (figura 2).
O G2 foi esvaziado de animais entre 9 e 12 de abril com um grande esforço logístico.

Biosseguridade estrutural e ambiental após o esvaziamento do G2

Gestão da limpeza: biocontenção



Recuperação operativa passo a passo
| Semana | NAVE 1 | NAVE 2 |
|---|---|---|
| 0 | 7 abril 0 PCR+ 8 abril 0 PCR+ nos 267 cachaços |
7 abril: 2 PCR+ retirada e análise, por PCR, de todas as doses produzidas (apresentaram resultados negativos), habilitação do plano de contingência para que os clientes não ficassem sem fornecimento. |
| 1 | Teste oficial de 100% dos machos por PCR e teste privado de 50% por PCR e ELISA, com resultados negativos | Retirada manual de matéria orgânica para a fossa |
| 2 |
Teste oficial de 100% dos machos por PCR Teste privado de 50% por PCR e ELISA, com resultados negativos |
Desinfetar sem lavar e sem pressão para evitar a formação de aerossóis |
| 3 | Test privado del 50% de los machos por PCR y ELISA con resultado negativo | Toma de 38 muestras ambientales y analisis por PCR individual con resultado negativo Objetivo: muestrear las cuadras de los machos positivos. |
| 4 | Teste privado de 50% dos machos por PCR e ELISA, com resultado negativo. 12 de maio: foi autorizada oficialmente a abertura da venda de doses do G1 |
Aplicação de calor com chama em todas as superfícies Coleta de 25 amostras ambientais e análise por PCR individual, com resultado negativo |
| 5 | Teste privado de 100% dos machos coletados para PCR e ELISA antes da saída das doses | |
| 6 | Test privado del 100% de machos que se recogen para PCR y ELISA antes de la salida de las dosis | Início da limpeza profunda com água sob pressão |
| 7 | Início do período de vazio sanitário | |
| 8 | ||
| 9 | Programa de sentinelas: transferência de 12 cachaços para descarte por idade do G1 para o G2 Rotação por 100% das baias |
|
| 10 | PCR e ELISA negativos dos sentinelas | |
| 11 | Preenchimento do galpão |
*Todas as análises em sangue.
Monitoramento do tamanho de amostra semanal para 95% de confiança e 2% de prevalência, distribuído em 3 dias de amostragem. Tipo de amostra: sangue da veia safena, teste: PCR.
Realizou-se uma investigação epidemiológica detalhada centrada nos dias anteriores à detecção do vírus. Analisaram-se entradas de pessoal, visitas técnicas, transporte de animais, retirada de cadáveres e movimentos internos, assim como a meteorologia.
Vários elementos surgiram como possíveis elos de entrada:
Apesar do esforço, não se pôde confirmar uma fonte única. A sequência genética do vírus isolado no CIA foi introduzida em GenBank e coincidiu com cepas de uma granja situada em uma população a 38 km e situada em uma zona de alta densidade suína.
O surto expôs brechas operativas que deram lugar a um plano integral de melhorias permanentes:
O caso deste CIA demonstra que, ainda frente a uma infecção silenciosa e potencialmente devastadora como a PRRS, a combinação de resposta rápida, medidas cirúrgicas e biossegurança adaptativa pode marcar a diferença. A conscientização do pessoal durante o processo de despopulação, limpeza, desinfecção, repovoação e colocação em funcionamento novamente do centro foi fundamental.
Graças à preservação do G1, o CIA reduziu significativamente seu tempo de inatividade e evitou comprometer o suprimento de genética.
Em um contexto de alta densidade suinícola, mobilidade constante e vírus altamente contagiosos, as granjas devem se preparar para o imprevisível. Ter um protocolo sólido de contingência não é opcional, é o seguro de vida de toda operação.