A farinha de colza fermentada melhora a qualidade da carne e o perfil metabólico em suínos de engorda

Yang L, Tao A, Hu H, Ding M, Chen J, Li X, Chen X, Zou T, You J. Improving Meat Quality and Lipid Metabolism of Finishing Pigs by Replacing Dietary Soybean Meal with Enzyme–Bacteria Co-Fermented Rapeseed Meal. Foods. 2026; 15(3): 587. https://doi.org/10.3390/foods15030587

27-Ago-2026 (há 26 dias)

Objetivo: Este estudo avaliou os efeitos da farinha de colza cofermentada com enzimas e bactérias (FRSM) como substituto da farinha de soja em dietas para suínos de engorda, com foco no desempenho de crescimento, parâmetros bioquímicos sanguíneos, qualidade da carne e metabolismo lipídico.

Métodos: Vinte e oito suínos de engorda (Duroc × Landrace × Yorkshire), com quatro meses de idade e peso médio de 60,9 kg, foram distribuídos em quatro tratamentos dietéticos por 45 dias. O grupo controle recebeu uma dieta convencional à base de milho e farinha de soja, enquanto nos grupos experimentais 50%, 75% ou 100% da farinha de soja foi substituída por FRSM.

Resultados: A substituição da farinha de soja por FRSM não prejudicou o desempenho de crescimento. O ganho médio diário e a eficiência alimentar foram mantidos, indicando que a FRSM pode substituir eficazmente a soja sem comprometer o desempenho produtivo. Do ponto de vista metabólico, houve melhora no perfil lipídico sanguíneo, com redução do colesterol total. Nos grupos com 75% e 100% de substituição, também foram observadas reduções nos níveis de LDL, alanina aminotransferase e ureia, sugerindo benefícios ao metabolismo lipídico e à função hepática.

A qualidade da carne foi positivamente influenciada: houve aumento do pH muscular 24h pós-abate e redução da perda por gotejamento, força de corte e mastigabilidade no músculo longissimus thoracis et lumborum, indicando maior retenção de água e maciez. Apesar do aumento de triglicerídeos, o perfil de ácidos graxos melhorou, com redução da relação SFA/UFA e aumento da relação PUFA/SFA. Também houve aumento de treonina e valina, além de maior concentração de aminoácidos associados ao sabor umami e aminoácidos essenciais no grupo com 100% de substituição.

Do ponto de vista estrutural, a substituição total por FRSM reduziu o perímetro das fibras musculares, possivelmente contribuindo para melhor textura da carne. Em nível molecular, houve aumento da expressão de MyHC I e MyHC IIa, indicando maior proporção de fibras oxidativas, além da regulação positiva de genes lipogênicos como FASN, SREBP1 e SCD, coerente com as mudanças observadas no metabolismo lipídico.

Conclusão: A farinha de colza cofermentada com enzimas e bactérias mostrou-se uma alternativa viável e sustentável à farinha de soja em dietas para suínos de engorda. Além de manter o desempenho produtivo, promoveu melhorias no metabolismo lipídico e em diversos atributos da qualidade da carne, destacando seu potencial como fonte proteica funcional na produção suinícola.