Du Z, Xu H, Sang N, Zhao Y, Zheng P, Wang H, Wang Q, Chen D, Yu B. Effects of rapeseed protein on growth performance, nutrient digestibility, nitrogen balance, serum parameters, and intestinal health of piglets. Animal Nutrition. 2025; 24: 121-135. https://doi.org/10.1016/j.aninu.2025.09.004
11-Ago-2026 (há 2 meses 8 dias)A crescente escassez mundial de fontes proteicas de alta qualidade, como o concentrado de proteína de soja e a farinha de peixe, tem intensificado a busca por alternativas sustentáveis na nutrição animal. A proteína de colza tem se destacado recentemente como uma opção promissora, e seu valor nutricional em leitões já foi avaliado anteriormente. No entanto, seus efeitos mais amplos sobre o crescimento e a saúde ainda não estavam totalmente definidos.
Objetivo: Este estudo avaliou o efeito da substituição do concentrado de proteína de soja e da farinha de peixe por proteína de colza em dietas para leitões.
Métodos: Um total de 120 leitões, com 24 a 25 dias de idade e peso médio de 7,8 kg, foi distribuído em cinco tratamentos dietéticos durante 28 dias. A dieta controle continha 5% de concentrado de proteína de soja e 5% de farinha de peixe. Nas dietas experimentais, 50% ou 100% do concentrado de proteína de soja foi substituído por proteína de colza, mantendo a farinha de peixe em 5%, ou 50% ou 100% da farinha de peixe foi substituída por proteína de colza, mantendo o concentrado de proteína de soja em 5%.
Resultados: O desempenho de crescimento foi mantido em todos os tratamentos, indicando que a proteína de colza pode substituir com sucesso o concentrado de proteína de soja ou a farinha de peixe sem comprometer o ganho de peso. A substituição total do concentrado de proteína de soja ou parcial/total da farinha de peixe melhorou a eficiência alimentar, reduzindo a quantidade de ração necessária para o mesmo ganho de peso.
Os leitões alimentados com proteína de colza apresentaram maior digestibilidade da proteína bruta e maior expressão de genes envolvidos no transporte de aminoácidos, sugerindo melhor aproveitamento proteico. As dietas também estimularam a secreção de hormônios relacionados ao apetite, reduziram respostas inflamatórias e melhoraram a função imunológica e a capacidade antioxidante.
Em nível molecular, houve aumento na expressão de genes relacionados à síntese proteica no músculo (mTOR e p70S6K) e no fígado (mTOR e Akt), indicando maior atividade anabólica. Também foram observadas melhorias na morfologia intestinal, especialmente no jejuno e no íleo, regiões importantes para absorção de nutrientes. Além disso, a microbiota intestinal foi modulada, com aumento de bactérias benéficas como Blautia, Gemmiger e Haldemanella.
Conclusão: A proteína de colza se mostra uma alternativa viável e sustentável ao concentrado de proteína de soja e à farinha de peixe em dietas para leitões. Seu uso mantém o desempenho produtivo e ainda promove melhorias na digestibilidade, saúde intestinal, função imunológica e metabolismo proteico.