Giglio RM, Bowden CF, Brook RK, Piaggio AJ, Smyser TJ. Characterizing feral swine movement across the contiguous United States using neural networks and genetic data. Mol Ecol. 2024 Sep;33(17):e17489. doi: 10.1111/mec.17489
09-Jul-2026 (há 9 dias)A globalização tem provocado o deslocamento frequente de espécies para fora de seu habitat natural. Algumas dessas espécies tornam-se altamente invasoras e capazes de alterar profundamente os ecossistemas invadidos. O javali (Sus scrofa x domesticus) é conhecido como uma das espécies invasoras mais destrutivas, com populações estabelecidas em todos os continentes, exceto a Antártida. Nos Estados Unidos (EUA), os javalis são responsáveis por danos significativos às lavouras, destruição de ecossistemas nativos e disseminação de doenças. O movimento deliberado de javalis, mediado pela ação humana, contribuiu para sua rápida expansão territorial nos últimos 30 anos. Os padrões de introdução intencional não são bem descritos, uma vez que as populações podem se estabelecer ou aumentar por meio de liberações pequenas e não documentadas.
Objetivo: Caracterizar os padrões gerais de movimentação de uma espécie exótica invasora por meio de aprendizado de máquina e análise de redes. Especificamente, foram analisados os padrões de movimento do javali ao longo da área invadida nos EUA, permitindo diferenciar a expansão natural daquela mediada pelo ser humano, que tem contribuído para a disseminação dessa espécie destrutiva.
Métodos: Utilizando um amplo banco de dados genômicos composto por 18.789 amostras genotipadas em 35.141 polimorfismos de nucleotídeo único (SNP), foram aplicadas redes neurais profundas para identificar javalis translocados nos EUA.
Resultados: Cerca de 20% (3364/16.774) dos animais amostrados foram classificados como translocados, e padrões gerais de translocação foram descritos por meio de medidas de centralidade em análise de redes. Os resultados revelam um extenso movimento de javalis, muito além de suas capacidades naturais de dispersão, incluindo indivíduos com origens estimadas a mais de 1.000 km dos locais onde foram amostrados.
Conclusão: Este estudo fornece informações relevantes sobre os padrões de movimentação de javalis mediados pela ação humana através dos Estados Unidos e do Canadá em direção às regiões norte do país. Além disso, valida o uso de redes neurais como ferramenta para estudar a propagação de espécies invasoras.