No artigo anterior foi discutido o papel exercido pela granja no potencial de produção dos leitões nascidos vivos e desmamados segundo o tipo de porca. Nesse artigo será discutido o efeito sobre o intervalo desmame-1ª cobrição, taxa de partos e índices produtivos ao longo da vida da porca.
Com relação à influência da categoria da granja ou porca sobre o intervalo desmame-1ª cobrição, o estudo não apresentou diferenças significativas. Em relação à taxa de partos, as granjas de alta produção tiveram uma taxa de partos 7,7% superior às de baixa produção. Por outro lado, as porcas hiperprolíficas mostram uma taxa de partos 0,7% superior à das porcas hipoprolíficas (tabela 4).
Tabela 4. Classificação dos resultados relativos a Taxa de Partos e Intervalo desmame-1ª cobrição, categorizados por tipo de granja e porca.
| Taxa de Partos (%) | IDC (dias) | ||
|---|---|---|---|
| Tipo de Granja | Granja de Alta produção | 89,3 | 5,9 |
| Granja de Baixa produção | 81,6 | 6,2 | |
| Tipo de Porca | Porcas Hiperprolíficas | 85,8 | 6,0 |
| Porcas Hipoprolíficas | 85,1 | 6,1 |
Quanto a avaliação da taxa de partos (tabela 5), verifica-se influência do tipo de porca e do número de partos, observa-se que as porcas hiperprolíficas de primeiro e segundo parto apresentaram maior taxa de partos, respectivamente 3,5% e 2,7% a mais quando comparadas às porcas hipoprolíficas. No entanto, é importante notar que não foram encontradas diferenças entre os dois grupos de porcas nos partos 3 e 6.
Tabela 5. Classificação dos resultados relativos a Taxa de Partos (%), categorizados por tipo de porca
| Taxa de Partos (%) | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Número de Parto | P0 | P1 | P2 | P3 | P4 | P5 | P6 | |
| Porcas Hiperprolíficas | 87,9 | 84,3 | 87,3 | 86,7 | 86,0 | 84,8 | 83,3 | |
| Porcas Hipoprolíficas | 87,4 | 80,8 | 84,6 | 85,6 | 86,1 | 85,6 | 85,3 | |
Em relação aos índices produtivos ao longo da vida da porca, a tabela a seguir mostra diferentes pontos a destacar (tabela 6):
Tabela 6. Comparação dos índices produtivos globais, por tipologia da granja e das porcas.
| Granjas de Alta Produção | Granjas de Baixa Produção | ||
|---|---|---|---|
| Leitões nascidos vivos totais | Porcas hiperprolíficas | 70,3 | 63,6 |
| Porcas hipoprolíficas | 44,4 | 41,3 | |
| Leitões desmamados totais | Porcas hiperprolíficas | 56,0 | 46,8 |
| Porcas hipoprolíficas | 45,3 | 38,7 | |
| Total de dias não produtivos | Porcas hiperprolíficas | 82,1 | 111,8 |
| Porcas hipoprolíficas | 73,1 | 103,8 | |
| Leitões desmamados/porca/ano | Porcas hiperprolíficas | 25,8 | 20,9 |
| Porcas hipoprolíficas | 24,5 | 18,3 |
Ao longo dos anos, descobriu-se que a produção responde a variáveis multifatoriais em que tanto o potencial da porca como o "efeito da granja" desempenham papéis de destaque. Este estudo mostra como o tipo de granja tem influência mais significativa que o potencial genético da porca quanto à taxa de partos, dias não produtivos e desmamados/porca/ano. Do outro lado da balança, para nascidos vivos, o potencial genético da porca excede o efeito da granja.
Incontestavelmente, possuir uma granja de alta produção, permite obter um maior rendimento do potencial genético da porca, especialmente daquelas genéticas com baixa prolificidade. As granjas de alta produção provavelmente possuem bons padrões de inseminação, instalações tecnologicamente adaptadas, maior cuidado na maternidade e uma rígida política de desperdícios. Todas estas características permitem tirar um maior rendimento do potencial da porca, seja de alta ou baixa prolificidade. Sem dúvida, o potencial genético desempenha seu papel, mostrando uma prolificidade que não pode ser obtida apenas com base nas características da granja. No entanto, e a fim de considerar uma mudança genética na nossa granja, devemos levar em conta o importante papel que nossa própria granja terá.
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