Como combater o estresse por calor no rebanho suíno

Joaquin Llorente De Frutos
13-Ago-2025 (há 8 meses 16 dias)

Com este artigo verificaremos como a mudança climática pode provocar indiretamente reduções no rendimento produtivo e reprodutivo dos animais ao afetar a qualidade das culturas, alterar a distribuição de patógenos e influenciar a disponibilidade de água.

De forma direta, causa estresse, definido como a resposta fisiológica inespecífica às exigências ambientais, alterando a homeostase e provocando desequilíbrios na saúde, mudanças de comportamento e uma menor eficiência reprodutiva.

No ano em que nos encontramos, vai ocorrer um choque térmico nas granjas talvez mais acentuado que em anos anteriores, devido à suavidade e à permanência de temperaturas amenas que tivemos até poucos dias atrás, sem dar aos animais a chance de se aclimatar de forma mais ou menos eficaz ao calor.

Esse estresse térmico torna os suínos especialmente vulneráveis devido à sua limitada capacidade de dissipar o calor corporal, e a seleção genética realizada em busca de maior produtividade, por sua vez, reduziu sua tolerância ao calor. A produção de calor aumenta com a melhoria dos resultados técnicos e, com isso, as linhagens atuais produzem 30% mais calor que nos anos 80; isso faz com que a zona de conforto térmico diminua sua temperatura ao longo dos anos a um ritmo de 1% ao ano.

Efeitos fisiológicos

O estresse por calor ocorre quando a temperatura ambiente supera a capacidade do suíno de dissipar o calor corporal. Os suínos não possuem glândulas sudoríparas funcionais, têm pulmões muito pequenos em relação à sua massa corporal e uma camada de gordura subcutânea relativamente espessa, o que dificulta a dissipação do calor; por isso, dependem de mecanismos como convecção, radiação e evaporação para regular sua temperatura.

Os efeitos fisiológicos do estresse térmico incluem:

Impacto produtivo e reprodutivo

O estresse térmico tem um impacto significativo na produtividade e na reprodução dos suínos.

Entre os efeitos produtivos, destacam-se:

Consequências econômicas

O estresse por calor pode reduzir a produtividade, resultando em um aumento de até +0,8 dias de IDC (figura 1), +2,45 dias de IDCF (tabela 1), + 1,3 na mortalidade de leitões em lactação (figura 2), menor prolificidade na próxima leitegada e redução de 0,7 a 1 kg no peso dos leitões ao desmame (figura 3), o que representa uma perda estimada entre R$36 e R$63 por porca, com base em cálculos próprios (figura 4).
Intervalo destete-cubrición en función del mes del año

Tabela 1. Influência da granja (E) e da época de cobertura sobre os resultados produtivos. Fonte: Galé et al., 2015

n F % LN LNV LNM LD MN % MND % RC IDCF (días)
Granja
A 52 82,76b 11,6b 10,76 0,84 9,85b 7,28 8,12 3,95a 11,71a
B 45 87,64a 12,16a 11,18 1,01 10,29a 8,03 9,15 0,85b 9,23b
sem 1,68 0,16 0,16 0,01 0,12 0,80 0,97 0,27 0,63
Época de cobertura
Outono 26 86,83a 11,70 10,86 0,83 9,93 7,11 9,1 2,11ab 10,23ab
Verão 22 82,29b 12,18 11,28 0,96 10,38 7,74 8,4 3,15a 12,40a
Inverno 24 90,22a 12,10 11,2 0,89 10,15 7,35 9,07 1,63b 8,69b
Primavera 25 81,46b 11,54 10,55 1,01 9,81 8,42 7,98 3,21a 11,12a
sem 1,50 0,23 0,23 0,14 0,17 1,16 1,43 0,27 0,91
p E < 0,045 0,017 0,07 0,22 0,01 0,51 0,48 0,0001 0,0033
p EC < 0,038 0,16 0,09 0,81 0,10 0,86 0,93 0,011 0,043
pE×EC 0,47 0,14 0,044 0,88 0,09 0,66 0,41 0,09 0,57
cov tl 0,87 0,38 0,36 0,65 0,29 0,75 0,93 0,76 0,65

n = número de lotes de porcas, sem = erro padrão da média. MN = mortalidade de leitões ao nascimento, MND = mortalidade de leitões do nascimento até o desmame. A mortalidade de leitões durante a lactação foi estudada em lotes de porcas nos quais não houve retirada nem adoção de leitões: 52 e 39 lotes nas granjas A e B, respectivamente, e 25, 20, 24 e 22 lotes em outras granjas.

Evolución de la mortalidad en lechones a lo largo de los meses

Peso lechón al destete en función del mes del año
Pérdida por cerda obtenida

Estratégias de prevenção

Para mitigar os efeitos do calor, recomenda-se implementar as seguintes estratégias:

1. Manejo ambiental:

2. Nutrição adaptada:

3. Manejo da água:

4. Manejo do alojamento:

5. Genética:

Conclusões

O estresse por calor no rebanho suíno é um desafio importante que exige a implementação de estratégias eficazes de manejo e prevenção. Compreender os efeitos fisiológicos, produtivos e reprodutivos do estresse térmico, assim como suas consequências econômicas, é fundamental para garantir o bem-estar dos animais e a rentabilidade da produção suinícola.

Nesse sentido, combinações de aditivos funcionais, voltadas a reduzir, pela via nutricional, os efeitos negativos do estresse térmico, minimizando problemas reprodutivos em porcas e melhorando o desempenho em terminação, podem ser úteis, sem deixar de lado todas as orientações de manejo mencionadas anteriormente.