A indústria suína na África: passado e presente

Ayobami Olasupo
23-Abr-2025 (há 1 anos 6 dias)

Passado: antecedentes históricos da introdução do suíno na África

A história da produção suinícola na África remonta a milênios e está profundamente entrelaçada com a evolução cultural, econômica e agrícola do continente. O suíno doméstico não é originário da África e foi introduzido tanto de forma intencional quanto não intencional.

A introdução dos suínos na África pode ser resumida em cinco marcos históricos:

Situação atual da indústria suína na Áfica

1. Estatísticas atuais da produção suína na África

População suína na África

A população total de suínos na África representa aproximadamente 4,6% do rebanho mundial. A tabela a seguir apresenta a distribuição atual por países africanos com populações entre 1 e 10 milhões de suínos(FAOSTAT 2023)

País População suína estimada (milhões de cabeças)
Nigéria 9,51
Malaui 8,07
Angola 3,55
Uganda 2,63
Moçambique 2,32
Camarões 2,18
Burkina Faso 1,78
Madagascar 1,75
África do Sul 1,32
Zambia 1,16
República Centro-Africana 1,07
República Democrática do Congo 1,01

Número de suínos na África, 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (2023).

Produção de carne suína na África

O registro da produção de carne suína na África, em comparação com o tamanho do rebanho, reflete o impacto dos diferentes sistemas de produção presentes nas diversas regiões do continente.

Produção de carne suína na África: países líderes em produção suína FAOSTAT 2023)

Países Produção estimada de carne suína (toneladas)
Nigéria 363.123
África do Sul 351.560
Malaui 344.550
Burkina Faso 224.127
Angola 169.196
Moçambique 136.637
Uganda 128.310
Camarões 48.560
Tanzânia 44.420
Gana 28.820
República Democrática do Congo 27.416
Madagascar 26.500
Zambia 24.249
Quênia 20.460
Senegal 19.798
República Centro-Africana 19.471
Togo 17.154

Produção de carne suína na África, 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (2023).

A consolidação da África do Sul como o segundo maior produtor de carne suína no continente (apesar de ocupar apenas a nona posição em número de animais) deve-se ao alto nível de intensificação do sistema de produção e ao uso de genética comercial de alta qualidade na região. O emprego de raças mais produtivas resulta em maior eficiência, refletida em maior produção de carne por animal e em pesos de abate mais elevados.

Gráfico do censo suíno que mostra a tendência de crescimento na Nigéria, Malaui e África do Sul entre 1961 e 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, 2023).

Gráfico da produção de carne suína que mostra a tendência de crescimento na Nigéria, Malaui e África do Sul de 1961 a 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (2023).

2. Sistemas de produção de suínos na África

Os sistemas atuais de produção suína no continente africano podem ser classificados nos seguintes tipos:

3. Desafios da suinocultura na África

A indústria suinícola na África tem um grande potencial como motor chave para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento rural. No entanto, enfrenta vários desafios que limitam seu crescimento e sustentabilidade. Esses desafios incluem:

A suinocultura africana possui grande potencial de crescimento e desenvolvimento. Com o enfrentamento dos desafios atuais e o aproveitamento das oportunidades nos mercados interno e externo — aliando avanços tecnológicos, investimentos, adoção de práticas sustentáveis e apoio de políticas públicas adequadas — o setor pode alcançar avanços significativos em produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.

Com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas e projeção de crescimento para cerca de 2,5 bilhões até 2050, a demanda por proteína animal, incluindo a carne suína, está em constante ascensão na África. Todos esses fatores representam uma grande oportunidade para o desenvolvimento do setor suinícola no continente.