Mortalidade de matrizes: como e quem? (1/2)

Enric Marco
25-Mar-2024 (há 2 anos 1 meses 4 dias)

A mortalidade das matrizes aumentou consideravelmente nos últimos anos. Hoje, ultrapassar 10% de mortalidade passou a ser considerado normal. No último ano ultrapassámos a média de 15% na Espanha segundo dados da SIP Consultors, o que significa que 50% dos produtores na Espanha (pelo menos aqueles que partilham os seus dados com a SIP Consultors) ultrapassam este valor. O que acontece naEspanha não é diferente do que acontece em outras partes do mundo, dados combinados de granjas dos EUA, Canadá, Austrália e Filipinas estimaram 13,56% de mortalidade de matrizes em 2021 (Eckberg, 2022) e naturalmente preocupa. De todas estas perdas, uma percentagem significativa são fêmeas sacrificadas e outra por matrizes que morrem repentinamente. Em geral, raramente se chega a um diagnóstico preciso das causas e, consequentemente, é difícil aplicar medidas para reduzir as perdas.

Para reduzir a mortalidade é fundamental ter um diagnóstico de quais são as causas e para isso será necessário saber responder a 4 questões básicas:

Como as matrizes morrem?

A primeira coisa que temos de ver é se a elevada mortalidade se deve ao abate de matrizes na granja. Com as atuais regulamentações de bem-estar, é possível que matrizes que não consigam andar sozinhas ou que apresentem lesões muito evidentes (prolapsos uterinos ou retais) não possam ser enviadas para abate e devam ser abatidas na granja. Quando o que temos é um problema de fêmeas sacrificadas, o diagnóstico é um pouco mais simples.

Problema de mortalidade em porcas jovens derivado de problemas de claudicação.

Quais matrizes morrem?

Nas granjas onde não existe problema de mortalidade, a mortalidade tende a aumentar com a idade ou ciclo da matriz. Num estudo publicado em 2017, o risco de morte aumenta cerca de 30% entre o primeiro e o sétimo parto, sendo esta percentagem ligeiramente superior quando se olha apenas para fêmeas que morreram durante a fase de lactação. As matrizes mais velhas tendem a apresentar problemas individuais que podem acabar causando a sua morte: endometrite, cistite-pielonefrite, neoplasias, prolapso uterino, etc. e naturalmente, o acúmulo de partos aumenta a probabilidade de sofrer problemas.

Contudo, em plantéis comerciais, as matrizes devem produzir na presença de doenças. Infecções como PRRS, PCV2, etc, são comuns em nossas granjas. Quando a mortalidade se concentra nas matrizes jovens, devemos pensar nos problemas que a podem ter afetado durante a fase de crescimento ou como foi feita a adaptação sanitária na granja. Esses tipos de infecções podem deixar lesões crônicas devido a complicações secundárias por bactérias que podem limitar a capacidade pulmonar (pleurite fibrinosa) ou cardíaca (pericardite fibrinosa, endocardite vegetativa, etc.). Quando este é o problema, as matrizes tendem a morrer perto do parto, pois é quando a necessidade de oxigénio é máxima e a capacidade pulmonar e cardíaca está no limite, podendo entrar em colapso nos casos em que a sua saúde não é ótima.

Como já referimos no ponto anterior, geralmente são as matrizes jovens que são sacrificadas devido a problemas de claudicação.

No próximo artigo abordaremos as seguintes duas questões básicas que devemos colocar-nos quando confrontados com um problema de mortalidade de matrizes: quando morrem e onde na granja ocorrem as mortes.