Reduzir as emissões de gases durante o armazenamento de dejetos

Rosa Gallart
29-Set-2023 (há 2 anos 7 meses)

Na Espanha, a adaptação das granjas ao novo quadro regulamentar (Real Decreto 306/2020) passa pela adaptação de novas técnicas de gestão de dejetos, com modificações na gestão e até a revisão das condições de construção de novas estruturas e dispositivos de armazenamento. A aplicação das melhores técnicas disponíveis (MTD, aquelas técnicas testadas à escala comercial da granja que se revelaram técnica e economicamente viáveis ​​e que ao mesmo tempo proporcionam proteção ao ambiente) para otimizar a gestão do dejeto no interior dos reservatórios existentes traduz-se num aumento da frequência de esvaziamento das fossas para armazenamento ao ar livre, o que deve ser feito pelo menos uma vez por mês. O aumento da frequência de despejo nos tanques implica a adaptação da autonomia de armazenamento para além dos 3 meses, de forma a adequar a gestão do dejeto aos momentos ótimos de aplicação como fertilizante no âmbito agrícola.

Para as granjas existentes na data de publicação do RD 306/2020, pode haver dois casos distintos: basta adaptar os dispositivos de armazenamento com técnicas de redução de emissões; ou que devam construir novos dispositivos para aumentar sua autonomia de armazenamento, que já devem ser construídos de forma que sejam geradas emissões mínimas de amônia em comparação com as emissões que ocorrem durante o armazenamento em uma lagoa sem cobertura e sem formação natural de crosta, técnica que tem sido considerada a referência para o cálculo das eficiências de redução. Para novas granjas, o projeto e a construção das instalações, tanto as que irão abrigar os animais quanto as que irão armazenar o dejeto, devem considerar aquelas técnicas que permitem altas eficiências na redução de emissões.

O quadro seguinte define as técnicas definidas como MTD para lagoas ou tanques de armazenamento e a sua aplicabilidade consoante se destinem à adaptação de dispositivos existentes ou a novas construções.

MTD Eficácia ambiental Redução das emissões de amônia no armazenamento (%) x técnica de referência Aplicabilidade em lagoas/depósitos existentes Aplicabilidade em novas lagoas/tanques
Coberto com materiais flutuantes (crosta natural, palha, turfa, casca, etc.) 40% X
Acidificação (pH=6) 50% X
Substituição de lagoas por tanques elevados (>3 m de altura) 30-60%* X
Coberto com bolas de argila expandida (LECA/Arlita) ou Perlita e Zeólita 60 % X
Coberto com peças geométricas (hexágonos, bolas, etc.) 60 % X
Coberturas flutuantes de plástico/tampas pneumáticas 60 % X
Coberturas flexíveis 80 % X X
Coberturas rígidas (concreto, painéis de fibra de vidro, etc.) 80 % X X
Bolsas de dejetos 100 % X X

*Código-quadro de boas práticas agrícolas para a redução das emissões de amoníaco, UNECE 2015.

Eficiência de redução de emissões de NH3 de 40-60%

Eficiência de redução de emissões de NH3 de 60%

 Eficiência de redução de emissões de NH3 de 80%

Em grandes lagoas ou lagoas, esta técnica pode não ser economicamente viável, pelo que para alcançar reduções de 80% teremos que avaliar se a aplicação simultânea de duas ou mais técnicas com menor eficiência na redução de emissões pode ser igualmente eficaz. Apesar dos diferentes sistemas de cobertura dos tanques, as granjas que tenham de implementar novos dispositivos de armazenamento externo devem ter em conta que a aplicação das MTD os obriga a repensar o design. Os novos requisitos de construção baseiam-se em: