Três fatores que dificultam as empresas familiares planejarem uma estratégia de transição geracional

Claudia Milena Camacho Castellanos Mónica Vega González
07-Jul-2023 (há 2 anos 9 meses 22 dias)

Se esse é o desejo das empresas familiares, por que a transição geracional não é planejada com antecedência?

Em nossas próprias pesquisas descobrimos que existem 3 fatores que se repetem e que dificultam esse planejamento:

Primeiro fator: falta de visão sobre a transição geracional

O fundador tem aqui um papel muito importante, porque nos parece que é ele quem tem de potenciar a estratégia de transição geracional. No entanto, muitas vezes isso não acontece porque existem problemas psicológicos subjacentes que o impedem, por exemplo:

Assuntos relacionados com o ego:

Qualidade de vida:

Assuntos familiares:

Esses são alguns aspectos que fazem o fundador ignorar ou procrastinar. Seus próprios medos e crenças são o que obscurecem a visão para planejar uma estratégia de transição geracional.

Segundo fator: ausência de protocolo familiar

Lembre-se que o protocolo familiar é o documento que concretiza os acordos entre os membros de uma família. Estes acordos regulam a forma como se estabelecem as relações familiares, econômicas e profissionais entre os proprietários da empresa, para organizar e gerir eficazmente o seu negócio e garantir o bem-estar da família e do negócio a longo prazo.

Ele permite que as famílias cheguem a um acordo sobre como trabalhar juntas e tomar melhores decisões agora e no futuro.

Um protocolo familiar estabelece a estratégia de transição geracional. Quando o protocolo não existe, e chega um momento "inesperado" de transição, gera-se desordem, caos, inquietação e isso pode fraturar a sustentabilidade da empresa e das relações familiares, pois as pessoas não têm clareza de como proceder a partir dos papéis que estão ocupando.

Pelo contrário, construir um protocolo familiar permite planejar em família, com antecedência e com a cabeça fria, como fazer uma transição geracional com tempo para implementar as ações de acordo com os objetivos da empresa.

Terceiro fator: não considerar a transição geracional como estratégia de expansão

As empresas não consideram o planejamento da transição geracional como estratégia de expansão. O momento evolutivo da empresa conta.

Quando a empresa está na fase de nascimento, uma estratégia de transição geracional não é prioritária, pois nesse momento existem fatores a resolver, como a geração de renda constante.

Por outro lado, quando uma empresa se encontra no seu momento de maturidade, terá mais abertura para pensar numa estratégia de transição geracional porque já existe uma organização empresarial e uma estabilidade econômica que permite à família beneficiar do negócio, podendo ter uma visão do futuro.

A própria transição geracional é uma estratégia de expansão empresarial porque garante a continuidade e transferência do legado, sustentabilidade de longo prazo para a empresa e família, onde as novas gerações têm a oportunidade de inovar tanto em processos quanto na liderança para seu crescimento e expansão.

Para finalizar, alguns itens a ter em mente:

Torna mais fácil e dinâmico pensar na transição geracional como uma estratégia de expansão que pode ser planejada e desenvolvida ao longo do tempo. Usar o protocolo familiar é uma ferramenta para conseguir isso.