Atualmente, os jovens veem o trabalho como uma parte importante, mas não exclusiva, de suas vidas, valorizando também a liberdade, a família, o crescimento pessoal, as boas experiências, os amigos e a dignidade. Essa percepção influencia seu interesse em permanecer em uma empresa. Por esse motivo, os critérios de seleção são um desafio para os gerentes que ainda acreditam que a remuneração e os benefícios, por si só, são suficientes para envolver e reter os funcionários.
Este artigo apresenta cinco estratégias que tendem a gerar maior engajamento dos jovens no trabalho.
Como nativos digitais, em um ambiente onde a comunicação é mais aberta e colaborativa, os jovens tendem a valorizar o trabalho em granjas onde têm a oportunidade de expressar suas opiniões, fazer sugestões e participar da tomada de decisões. Eles precisam perceber que fazem parte dos processos e dos resultados.
É muito útil promover reuniões regulares para compartilhar e discutir problemas e oportunidades de melhoria, planejar metas e indicadores zootécnicos com a participação de todos os funcionários envolvidos e, acima de tudo, falar menos e ouvir mais.
Os jovens trabalham de forma mais comprometida e se sentem valorizados em granjas que oferecem oportunidades de crescimento por meio de treinamento.
Além do treinamento técnico, o desenvolvimento pessoal deve ser estimulado por meio de oportunidades para melhorar a comunicação e as habilidades interpessoais.
Por exemplo, muitos funcionários têm fortes habilidades operacionais, mas geralmente são tímidos e têm dificuldade para expressar suas ideias. Certa vez, conversei com um auxiliar de maternidade do período noturno que tinha soluções para reduzir a mortalidade de leitões, mas não se sentia à vontade para sugerir mudanças ao seu supervisor devido a experiências anteriores sem sucesso. Nessa situação, identificamos a falta de habilidades de negociação do funcionário e a falta de escuta do líder. Esse é um dos desafios que as granjas enfrentam diariamente, que nem sempre é identificado porque os gerentes se concentram apenas na análise de dados e resultados, sem considerar os fatores comportamentais que os geram.
Nesse caso, é necessário priorizar as necessidades de treinamento com a equipe operacional e ouvir quais são suas maiores dificuldades, tanto nos aspectos técnicos quanto comportamentais. É importante personalizar e contextualizar, tornando o processo de treinamento e desenvolvimento um componente obrigatório do cronograma de atividades da granja (foto 1), incentivando a discussão prévia sobre o assunto, sem esquecer de oferecer treinamento de liderança para técnicos e encarregados que lidam diretamente com a equipe operacional. Isso melhorará a comunicação e o comprometimento da equipe, com um impacto significativo na sua produtividade.

As granjas que compartilham sua visão de futuro com os funcionários são mais atrativas para os jovens. Como resultado, eles sentem segurança e motivação para contribuir, desde que recebam feedback constante (foto 2), aberto e específico, para saber se estão fazendo um bom trabalho. Essa é uma forma eficaz de reconhecimento do desempenho das funções, que fortalece o compromisso e o desempenho da equipe.
Certa vez, visitei uma granja em que um funcionário me perguntou se eu estava ciente dos resultados dos indicadores recentes no sítio 2 (creche), após alguns ajustes que ele fez no manejo de recepção e adaptação dos leitões desmamados. O fato de ele ter perguntado a um consultor externo sobre os resultados de sua área indicou para mim uma falta de comunicação interna e de feedback.

A nova geração cresceu em um ambiente tecnológico, rápido e instantâneo. Portanto, não é de surpreender que, às vezes, até desprezem o trabalho manual ou arcaico, quando sabem que existem ferramentas para tornar o gerenciamento muito mais eficaz e eficiente (foto 3).
Para eles, trabalhar em uma granja com tecnologia avançada é muito mais atrativo do que trabalhar em uma granja tradicional. Além de ajudar a reduzir o trabalho manual e aumentar a eficiência da produção, essas tecnologias fazem com que o funcionário sinta orgulho e reconhecimento da marca, o que ajuda a atrair e reter outros jovens interessados em trabalhar no setor.

A nova geração valoriza mais do que nunca o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A oferta de horários de trabalho flexíveis aumentou a participação dos operadores, mesmo em fazendas de alta eficiência.
A falta de flexibilidade foi um dos elementos negativos mais relatados pelos trabalhadores em todas as granjas onde realizamos entrevistas e pesquisas. Em muitos casos, trabalhar nos finais de semana foi a principal causa dos pedidos de demissão.
É cada vez mais difícil encontrar pessoas dispostas a trabalhar as tradicionais longas horas, sem folga durante a semana para atender às suas necessidades pessoais e familiares.
Esse é um novo desafio para a produção de suínos. No entanto, já vimos na prática que é possível implementar estratégias que contribuam para a flexibilidade e, ao mesmo tempo, mantenham o desempenho e os resultados da equipe.
Para criar um ambiente de trabalho atrativo, não basta adotar tecnologias, aprimorar processos e contratar consultoria técnica especializada; é necessário investir no desenvolvimento da comunicação e das habilidades interpessoais de toda a equipe, incluindo a gestão de conflitos entre diferentes gerações. Uma granja altamente tecnificada com um ambiente de trabalho hostil será facilmente eliminada da lista de empresas escolhidas pelos jovens trabalhadores.
Para a geração mais jovem o trabalho é essencial, mas precisa ser "significativo e valer a pena", o que tem muito mais a ver com a qualidade dos relacionamentos do que com qualquer outro recurso.
Além disso, é importante lembrar que cada empresa é única e pode haver outras estratégias que sejam mais eficazes para cada contexto específico. O mais importante é estar atento e disposto a entender e equilibrar as necessidades da granja com o atendimento às necessidades dos jovens trabalhadores.