Medicação via água: Efeito do pH sobre os medicamentos e possíveis correções

Enric Marco
12-Abr-2023 (há 3 anos 17 dias)

Quem não conseguiu obstruir todos os bebedouros de uma sala após colocar um medicamento na água para consumo? Quantas vezes não culpamos o medicamento utilizado?

Intoxicação por sal na fase de transição

Obstruir os bebedouros não é a pior coisa que nos pode acontecer, aliás, se isso acontecer saberemos que os suínos não tomaram água e consequentemente, não ingeriram o medicamento. Mas às vezes os medicamentos falham sem saber por quê. É nessas situações que surgem as dúvidas: duvidamos do produto, da dose, do funcionário que administrou o medicamento ou mesmo do diagnóstico, diante dos maus resultados obtidos.

Para uma molécula ser solúvel em água ela deve ser capaz de ionizar, se não tiver radicais ionizáveis ​​ela vai precipitar e se depositar no fundo, no caso de medicar em tanque. Isso é o que aconteceria se tentássemos usar um medicamento em uma apresentação "pré-misturada" na água potável.

Exemplo de precipitação.

Uma molécula capaz de se ionizar ao entrar em contato com a água seria um sal, por exemplo, e essa é uma das apresentações mais comuns de medicamentos solúveis. Um sal se dissociará em dois tipos de radicais: ácido (positivo) e básico (negativo). Nem todas as moléculas utilizadas irão se dissociar dando a mesma quantidade de radicais ácidos e básicos. Essa característica de dissociação em radicais mais ou menos ácidos é expressa pela constante pKa. Quanto menor for essa constante, mais ácido é o caráter da molécula. Assim, com um pKa de 2,7 (o da fenoximetilpenicilina) a molécula será considerada um ácido, enquanto com um pKa de 7,6 (o da lincomicina) será considerada uma base.

Quando o pH do meio em que é dissolvido iguala seu pKa, a molécula estará 50% ionizada. Para ter uma boa solução, a ionização deve ser total. Então:

Entre as moléculas que poderíamos classificar como ácidos fracos encontramos: ampicilina, fenoximetilpenicilina, amoxicilina, quinolonas, etc.

Entre as moléculas que poderíamos classificar como bases fracas encontramos: macrolídeos, lincosamidas, tiamulina, tetraciclinas, etc.

Solubilidade dos compostos

Na prática, acidificar levemente ou neutralizar a água potável pode ser interessante para melhorar a solubilidade dos produtos utilizados.

Dica: Para evitar problemas com moléculas fracas do tipo base, como as tetraciclinas, a acidificação da água potável seria uma medida recomendada.

No caso de substâncias classificadas como ácidos fracos, como a amoxicilina, a ampicilina ou a fenoximetilpenicilina, é aconselhável evitar a sua utilização em águas acidificadas (muito frequente em fases iniciais como o pós-desmame).

De fato, águas fortemente ácidas (pH < 5) podem até limitar a capacidade dessas substâncias, afetando os resultados que poderiam ser obtidos com esses medicamentos.