Feito isso, o próprio processo de desmame será fundamental para minimizar o risco de problemas posteriores.
O desmame
Nosso objetivo deve ser reduzir o estresse, tanto físico quanto térmico, do leitão e fornecer as condições ideais o mais rápido possível para seu correto processo de transição.
Hoje verificamos que se deixarmos o leitão na mesma maternidade durante uma semana após o desmame, e não o sujeitarmos a todo o stress associado a ele, reduzimos os problemas de diarreia subsequentes. Isso é algo inviável em muitas de nossas granjas, mas nos mostra que diminuindo o estresse desse momento, reduzimos o risco de problemas.
Quais são as chaves para reduzir o estresse do leitão durante o processo de desmame?
1. Instalações da granja de origem e destino
A maternidade deve ter instalações que nos permitam abrir facilmente as portas e retirar os leitões sem complicações.
Ter corredores adequados e preparados com portas, para poder fazer o desmame e posterior acolhimento na granja de destino o mais rapidamente possível, mas com o mínimo de stress para o leitão.
O desmame costuma ser feito logo pela manhã e em muitos casos com temperaturas externas muito baixas. Se os leitões tiverem que ser movidos, é importante projetar bem os locais, para facilitar o processo de carga e descarga e evitar que os leitões esfriem.
2. Transporte
Se tivermos que deslocar leitões por meio de veículos, estes devem estar preparados para deslocar leitões pequenos:
Janelas que fecham totalmente para evitar o frio.
Pisos adequados. Especialmente em elevadores onde pequenos leitões podem ter problemas.
Tenha sempre serragem ou algo semelhante para confortar os leitões.
Minimizar o tempo de transporte dos leitões sempre que possível: é importante ter um bom projeto de fluxo de animais, que nos permita mover os leitões para granjas próximas.
3. Manejo e equipe encarregada de cada momento
Para diminuir o estresse do leitão no momento do desmame, é fundamental o manejo adequado do mesmo. Para isso, é necessário:
Reduzir o tempo de jejum dos leitões após a saída da mãe, para evitar o consumo excessivo posterior dos mais vorazes:
Recomenda-se que os leitões tenham creep-feeding até o momento do carregamento em pequenas quantidades como foi feito.
Os leitões devem ter água permanente até o carregamento.
O desmame causa estresse e isso produz uma queda na imunidade, portanto, qualquer processo ao seu redor deve ser evitado, por exemplo, vacinações, que podem adicionar mais estresse ou gerar febre. Por isso devemos:
Rever os programas de vacinação e ajustar, se necessário.
Estudar o uso de medicamentos, por exemplo antipiréticos, que ajudem a reduzir esse efeito.
Transfira e/ou carregue os leitões no caminhão, se for o caso, "devagar, mas sem pausa", para isso é necessário ter uma equipe bem treinada e comprometida que entenda a importância do processo.
Adapte os movimentos e as transferências aos horários ideais do dia, dependendo da época do ano. Insistimos em fazer o desmame bem cedo, pensando em otimizar outros parâmetros, mas alguém já pensou se o ideal para um leitão de 6kg é ser movimentado às 6, 7, 8 da manhã, com temperaturas muitas vezes abaixo de 0º C?
Uma vez que chegamos ao destino e descarregamos os animais, eles devem ser encaminhados para seu destino final o mais rápido possível:
Separando machos e fêmeas, se for esse o caso.
Separando por tamanhos, se for o caso.
Deixando o número de leitões por baia que corresponda.
O que quer que façamos, deve ser feito NAS PRIMEIRAS HORAS, caso contrário pode acontecer:
Leitões brigando mais de uma vez.
Sofrer estresse excessivo de alta densidade.
Grande maioria sem acesso ao comedouro ou bebedouro.
Claro que precisa ter tudo pronto no destino para receber os animais, mas falaremos sobre isso em detalhes no nosso próximo artigo.