Persistência do COVID-19 em diferentes materiais: implicações práticas

Enric Marco
26-Mar-2020 (há 6 anos 1 meses 3 dias)

Artigo comentado
Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. Letter published on March 17, 2020, at NEJM.org by Dr. van Doremalen, Mr. Bushmaker, and Mr. Morris. DOI: 10.1056/NEJMc2004973
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Comentário

A biossegurança nas granjas é fundamental para impedir a entrada de novos patógenos e prevenir doenças no plantel. As doenças dos suínos geralmente reduzem a lucratividade da granja e essa é a principal razão pela qual queremos mantê-las afastadas de nossa produção. Mas as doenças humanas também podem ser devastadoras para a lucratividade da granja, especialmente quando são contagiosas. É o caso da infecção humana por SARS-CoV-2 (Covid-19). O Covid-19 pode colocar nossos funcionários em risco. Este estudo sobre a persistência do coronavírus em diferentes materiais e em aerossóis (como partículas líquidas de um espirro ou tosse no ar) pode nos ajudar a implementar medidas nas granjas para reduzir o risco de infecção nas pessoas. Com base no conhecimento que temos hoje, podemos dividir as medidas em dois tipos: medidas internas e externas de biossegurança.

Biossegurança externa

A regra básica nessas circunstâncias é impedir que os visitantes entrem na granja, a menos que sejam essenciais para manter a operação normal. Se os visitantes quiserem entrar na granja, o padrão mínimo de biossegurança deve ser:

Mas uma granja também precisa introduzir materiais como doses de sêmen, remédios, brincos, etc. e é necessário que alguém tenha que levar de fora pra dentro esses produtos. Esses materiais podem estar contaminados por aerossóis infectados e devem ser considerados como possíveis fontes de infecção. Aqui, descreveremos alguns procedimentos fáceis de aplicar que podem ajudar a reduzir seu risco.

Biossegurança interna

Nem todo mundo infectado com SARS-CoV-2 desenvolve sinais clínicos; uma grande porção de pessoas infectadas é assintomática. Um funcionário infectado e livre de sintomas pode liberar o vírus através de aerossóis e infectar outras pessoas ou contaminar materiais. As seguintes medidas visam reduzir o risco de contágio entre os trabalhadores.

Resumo do artigo comentado
Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. Letter published on March 17, 2020, at NEJM.org by Dr. van Doremalen, Mr. Bushmaker, and Mr. Morris. DOI: 10.1056/NEJMc2004973

Este estudo analisou o aerossol e a estabilidade em superfície do SARS-CoV-2 e o comparou ao SARS-CoV-1, o coronavírus mais próximo do relatado em humanos.

Os dados consistiram em 10 experimentos com os dois vírus (SARS-CoV-2 e SARS-CoV-1) em cinco ambientes (aerossol, plástico, aço inoxidável, cobre e papelão) mantidos a 21-23 ° C e 65% de umidade relativa.

Estabilidade em aerossóis: SARS-CoV-2 permaneceu viável em aerossóis durante o experimento (3 horas) com uma redução no título infeccioso de 103,5 para 102,7 TCID50 / L.

Persistência do Coronavírus em materiais

O vírus SARS-CoV-2 viável pode ser detectado até 72 horas após a aplicação em diferentes superfícies, embora o título do vírus tenha sido bastante reduzido. A taxa de sobrevivência do vírus é altamente influenciada pela temperatura, umidade e quantidade de vírus.

Plástico: SARS-CoV-2 permaneceu viável em plástico após 72 horas (de 103,7 a 100,6 TCID50 / mL)

Aço: SARS-CoV-2 permaneceu viável em aço inoxidável após 72 horas (de 103,7 a 100,6 TCID50 / mL) com uma meia-vida estimada de aproximadamente 5,6 horas. ua estimação de vida média de aproximadamente 5,6 horas.

Cartão: O SARS-CoV-2, após 24 horas, não era viável em papelão, mas os resultados devem ser tomados com cuidado devido à sua variabilidade.

Títulos de virus viable

O estudo descobriu que a estabilidade do SARS-CoV-2 foi semelhante à do SARS-CoV-1 nas circunstâncias experimentais testadas. Os resultados indicam que a transmissão de SARS-CoV-2 em aerossóis e fômites é plausível, pois o vírus pode permanecer viável e infeccioso em aerossóis por horas e em superfícies por dias (dependendo da quantidade de inóculo excretado). Esses achados vão de encontro a aqueles com SARS-CoV-1, nos quais essas formas de transmissão foram associadas à propagação hospitalar e a eventos de super difusão, e fornecem informações para os esforços de controle da pandemia.