Vias de transmissão do vírus da peste suína africana

Redação 333

01-Ago-2022 (há 3 anos 8 meses 28 dias)

1. Transmissão oral

As vias de transmissão mais importantes do vírus da peste suína africana (PSA) são as vias de transmissão oral, principalmente através da ingestão de alimentos e/ou contato com fômites/objetos contaminados com partículas virais. A viabilidade persistente do vírus, bem como a dificuldade em inativa-lo (tabela 1) contribuem para dificultar seu controle.

Em um estudo, suínos ingeriram ração contaminados com a cepa Georgia 2007/1 foram infectados com dose infectante mínima de 104 TCID50 e a média foi de 106,8 TCID50. A dose infectante mínima de PSA na água de bebida foi de apenas 1 TCID50 e a média foi de 10 TCID50 no mesmo estudo. Indicando que a transmissão do vírus da PSA pela água é mais eficiente do que pelos alimentos (Niederwerder et al., 2019).

Historicamente, a ingestão de restos ou resíduos de alimentos humanos tem se mostrado uma importante via de disseminação da PSA.

Grama fresca e sementes contaminadas por javalis infectados são fontes potenciais de infecção para suínos de subsistência (Guinat et al. 2016).

Tabela 1. Viabilidade do vPSA em diferentes condições (Fonte: Liu, Y. et al. 2021).

Parâmetro Viabilidade Referência
Temperatura 37ºC – 11-21 dias

Mazur-Panasiuk et al. 2019

Juszkiewicz et al. 2019

56ºC – 60 -70 minutos
60ºC – 15-20 minutos
Sangue Armazenado a 4ºC – 18 meses Beltrán-Alcrudo et al. 2017
Sangre putrefado – 15 dias

Dejetos

Fazes a 4ºC – 8 dias

Davies et al. 2017

Fezes a 37ºC – 3-4 dias
Urina a 4ºC – 15 dias
Urina a 21ºC – 5 dias
Urina a 37 ºC – 2-3 dias
Carne suína Carne a 4-8ºC – 84-155 dias

Mazur-Panasiuk et al. 2019

Beltrán-Alcrudo et al. 2017

Carne no sal: 182 dias
Curados: 300 dias

Carne cozida (mínimo de 30 minutos durante 70ºC): 0 dias

Carne defumada: 30 dias
Carne congelada: 1000 dias
Carne refrigerada: 100 dias
Água A temperatura ambiente: 50 dias

Sindryakova et al. 2016

Mazur-Panasiuk et al. 2019

Ração A temperatura ambiente: 1 dia

2. Transmissão por aerosol

Os suínos infectados com PSA liberam o vírus no ambiente por meio de excreções e secreções, e a carga viral no fluido oral, fluido nasal, fezes e urina é particularmente alta durante a fase aguda (MacLachlan et al. 2017). Quando os suínos apresentam sintomas respiratórios, como espirros e/ou tosse, essas secreções podem se tornar aerossóis portadores de vírus. Quando as fezes ou urina contaminadas com vírus secam, a poeira causada pela movimentação de animais também pode gerar aerossóis portadores de vírus (De Carvalho Ferreira et al. 2013).

A meia-vida do vPSA no ar é de 19,2 minutos (teste qPCR) e pode ser transmitido a uma distância de até 2,3 metros entre suínos infectados e suscetíveis.

Em conclusão, o vírus de PSA pode ser transmitido dentro da granja na forma de aerossóis, o que pode ser um importante modo de transmissão.

Vias de transmissão da PSA

3. Transmissão iatrogênica

O vírus de PSA pode se espalhar de suínos infectados para suínos suscetíveis por meio de equipamentos/materiais veterinários contaminados, como agulhas usadas para vacinação (Penrith et al. 2009 & Beltrán-Alcrudo et al. 2017). No entanto, a eficiência da infecção iatrogênica e sua importância na epidemiologia da PSA permanecem desconhecidos.

4. Transmissão através do sêmen

Embora não haja evidências diretas mostrando que o vírus de PSA é transmitido através do sêmen (Mazur-Panasiuk et al. 2019), existem estudos que mostram que o vírus de PSA pode ser detectado no sêmen de machos infectados (Thacker et al. 1984).

5. Transmissão por insetos

O vírus de PSA pode se replicar em carrapatos Ornithodoros spp. e são o vetor mais comum do vírus (Mazur-Panasiuk et al. 2019). Esses carrapatos vivem em ninhos de javalis, e os adultos podem viver por décadas e sobreviver por muito tempo sem se alimentar, tornando os carrapatos Ornithodoros um reservatório ideal para o vírus. Outros insetos também podem espalhar o vírus, as moscas do estábulo (Stomoxys calcitrans) podem transmitir o vírus mecanicamente a suínos susceptíveis (Mellor et al. 1987). No momento, o papel desempenhado pelas moscas na epidemiologia e transmissão da PSA não está totalmente claro. As larvas de moscas não são reservatórios do vírus de PSA e não podem disseminar mecanicamente o vírus (Forth et al. 2018). Estudos recentes mostraram que o vírus de PSA pode persistir em sanguessugas (Hirudo medicinalis) e percevejos (Família: Reduviidae, Subfamília: Triatominae) (Karalyan et al. 2019 & Golnar et al. 2019).

Liu, Y., Zhang, X., Qi, W., Yang, Y., Liu, Z., An, T., Wu, X., & Chen, J. (2021). Prevention and Control Strategies of African Swine Fever and Progress on Pig Farm Repopulation in China. Viruses, 13(12), 2552.