A reação em cadeia da polimerase (PCR) é uma das ferramentas de diagnóstico mais comuns usadas pelos veterinários de produção de suínos atualmente. É usada não apenas para fins de diagnóstico, mas também para melhorar a biossegurança por meio da vigilância e controle de doenças. Como tal, é fundamental compreender as vantagens e desvantagens de tal tecnologia na interpretação dos resultados. Também é importante lembrar que mesmo que a mesma tecnologia seja usada para diferentes patógenos, deve haver diferenças na interpretação desses resultados.
PCR é projetado para a detecção de material genético (DNA ou RNA) de bactérias ou vírus. O processo começa com a extração do DNA ou RNA da amostra, que é posteriormente submetida a ciclos de amplificação térmica. Se o material extraído for RNA, o primeiro passo será converter o RNA em DNA (tecnicamente conhecido como DNA complementar ou cDNA). Os ciclos térmicos consistem em um processo de 3 etapas: 1) desnaturação, 2) alinhamento e 3) extensão, em que se obtém como resultado a duplicação do DNA presente na amostra. Portanto, para cada ciclo (1 Ct), assumindo 100% de eficiência, o dobro de DNA estará presente. O objetivo é continuar o processo de amplificação até que DNA suficiente seja detectado para tornar a amostra positiva ou até 30-40 ciclos, dependendo do projeto de teste específico usado.
O processo de extração é uma etapa crítica do teste de PCR, pois afeta a quantidade e a qualidade do material genético na amostra analisada. É essencial utilizar o processo de extração apropriado para o tipo de amostra a ser analisada (soro, fluidos orais, tecido, etc). A etapa 2 do processo de amplificação (alinhamento) requer o uso de primers, que são pequenos pedaços de sequência de DNA projetados especificamente para se ligar e ajudar a replicar a sequência genética específica do patógeno em questão. Para patógenos que estão em constante evolução genética (como o vírus PRRS), esses primers precisam ser atualizados regularmente para garantir que novas cepas continuem a ser detectadas.
O limiar do ciclo de teste (geralmente em torno de 30-40) é estabelecido determinando que, se o processo de amplificação continuasse, o teste seria positivo devido ao alinhamento e extensão espontâneos. Isso sugere que resultados positivos fracos, com altos valores de Ct perto do limite, é necessária uma consideração especial na interpretação dos resultados, especialmente no final de um surto.
Existem dois usos diferentes dos testes de PCR: a tradicional PCR em gel e a mais moderna PCR em tempo real. Ambos os testes funcionam da mesma forma, com base na amplificação de DNA ou RNA. A diferença é que o gel PCR é "lido" apenas uma vez no final do teste, enquanto os resultados do teste de PCR em tempo real são "lidos" após cada ciclo. A vantagem da PCR em tempo real é que ela permite a obtenção de resultados quantitativos/semiquantitativos.
Os testes de PCR têm uma grande capacidade de detectar pequenas quantidades de material genético em amostras (sensibilidade analítica) graças ao processo de amplificação, que oferece a possibilidade de analisar várias amostras com um único teste (pool). É importante lembrar que o agrupamento, por definição, diluirá a amostra analisada. Isso não deve ser um problema quando a concentração esperada de um determinado patógeno é alta (especialmente no início do surto da doença). No entanto, o agrupamento pode ser um problema quando a concentração do patógeno em uma amostra positiva é baixa, como no final de um surto de doença ou em um tipo de amostra que deve ser diluída (fluidos orais).