Creche: novas abordagens para os problemas de sempre

José Antonio Paños González Manuel Toledo Castillo
08-Mar-2021 (há 5 anos 1 meses 21 dias)

Nos últimos anos, juntamente com o aumento de leitões desmamados por porca por ano, nas creches houve uma piora dos parâmetros técnicos em dois indicadores:

Problemas que afetam com mais frequência na fase de creche dos leitões

  1. Streptococcus suis, tanto em sua forma aguda produzindo meningite e morte ou em sua forma localizada com aumento da inflamação nas articulações.
  2. Processos entéricos produzidos pela E. coli: com a retirada do óxido de zinco houve aumento dos processos patológicos entéricos, também influenciados pela qualidade do leitão e pelas condições de qualidade da água e facilidades na transição.
  3. Processos entéricos associados ao rotavírus ou outros vírus, que tendem a persistir nas instalações, mesmo após a lavagem.
  4. A síndrome pós-desmame tende a aparecer mais frequentemente associada à variabilidade de peso ao desmame, e ao maior número de leitões de menor peso, que apresentam maior dificuldade em ter um consumo alimentar adequado nos primeiros dias pós-desmame.
  5. Doença de Glasser: um processo que causa febre e polisserosite (pericardite, inflamação da serosa com grande presença de fibrina. Os animais ficam abatidos, pálidos. Claudicação e tosse são geralmente muito frequentes

A seguir apresentamos os fatores de risco e mecanismos de controle para cada problema, bem como os mecanismos gerais de controle nesta fase.

Streptococcus suis

Patogenia de la estreptococia porcina

Fatores de risco e sua correção

  1. A coinfecção com PRRS limita a capacidade de eliminação dos estreptococos ao nível pulmonar, portanto, o impacto dos estreptococos é muito grave em animais alojados em creches nas quais o vírus PRRS está recirculando.
  2. O manejo da ventilação, ventilação mínima, renovação incorreta do volume de ar é fator de risco para o quadro clínico da doença. Controle das correntes de ar desde cedo.
  3. Densidades incorretas podem aumentar o grau de estresse e ser um fator predisponente para o seu desenvolvimento.
  4. Limpeza e desinfecção inadequadas das instalações. A pressão de infecção ambiental é um fator de risco.
  5. A diarreia na maternidade e na creche conduz à inflamação intestinal e, consequentemente, à penetração de patógenos (falhas da barreira intestinal).
  6. Na maternidade, o corte da cauda é uma porta de entrada de patógenos; recomenda-se o uso de cauterizadores.

A abordagem deve ser direcionada para corrigir os fatores de risco e estabilizar a saúde das matrizes e consequentemente a creche.

Colibacilose

Desarrollo de la colibacilosis en transición

Fatores de risco para essa doença na creche:

  1. Mudanças repentinas de temperatura: variações de 10 °C e/ou baixas temperaturas aumentam o quadro clínico da doença.
  2. Qualidade da água de bebida: águas acima de 1500 microsiemens de condutividade costumam ser fatores predisponentes. A água deve ter boa qualidade microbiológica e também boa qualidade físico-química.
  3. Digestibilidade e palatabilidade da ração: reduzir o tempo de anorexia é de vital importância. A apresentação da ração em pratos pode nos garantir o consumo precoce da ração.

Tratamentos com antimicrobianos na maternidade: se os tratamentos com antimicrobianos foram realizados na maternidade, isso leva a uma mudança na microbiota intestinal e provavelmente altera a integridade da barreira intestinal.

Síndrome pós-desmame

Patogenia del síndrome postdestete

Devido à queda no consumo ao desmame, os leitões perdem peso e podem ser colonizados por qualquer patógeno intestinal e levar a processos patológicos que resultam em falha no desenvolvimento. A queda no consumo de ração ao desmame leva à atrofia das vilosidades intestinais, pois essas precisam de nutrientes na luz intestinal.

Fatores a serem considerados:

  1. A higiene das instalações: patógenos como rotavírus e coronavírus, que tendem a persistir se a lavagem não for correta, geralmente levam à perda de vilosidades e, portanto, a uma síndrome de má absorção.
  2. Temperatura de entrada do leitão: As baixas temperaturas levarão a um baixo consumo de ração e diarreia. Garantia entre 26-28ºC na entrada.
  3. Monitoramento do CO2: se estiver alto devido à ventilação mínima inadequada, há perda de consumo.
  4. Controle dos bebedouros: com boa vazão que permite o consumo adequado de água.
  5. Qualidade da água de bebida: os leitões não comem se não beberem o suficiente com antecedência. A qualidade microbiológica deve ser considerada, assim como a qualidade físico-química. Se a água for de boa qualidade físico-química, o uso de adoçantes ou aromatizantes não melhora o consumo de água.
  6. A utilização de pratos nas baias: aumenta o consumo de ração e dá origem a um bom começo dos leitões, uma vez que limitamos os efeitos negativos que a anorexia tem nos leitões.

Interacción consumo de pienso y agua en la patología intestinal

Doença de Glasser
Fatores de risco:

Medidas de controle:

  1. A gestão do fluxo de animais é muito importante para alcançar a estabilização sanitária da fase de creche. A mistura de idades e ciclos contínuos costumam ser motivos para aumentar a gravidade do processo.
  2. Estabilizar as porcas frente à PRRS e influenza, uma vez que a recirculação do vírus na creche aumenta significativamente a incidência da doença.
  3. A densidade dos animais e a ventilação são fatores que determinam um forte estresse e, portanto, agravam o quadro clínico.

Medidas de controle geral que são cada vez mais importantes para minimizar problemas na creche.

Os problemas de creche devem ser evitados e tratados de forma holística, considerando patologia, nutrição, gestão, instalações, fluxos, etc.