Meia-vida do vírus da Peste Suína Africana em carregamentos de ração

Stoian, A., Zimmerman, J., Ji, J., Hefley, T. J., Dee, S., Diel, D. G....Niederwerder, M. C. (2019). Half-Life of African Swine Fever Virus in Shipped Feed. Emerging Infectious Diseases, 25(12), 2261-2263. https://dx.doi.org/10.3201/eid2512.191002.

26-Mar-2021 (há 5 anos 1 meses 3 dias)

Desde a introdução, em 2013, do vírus da Diarreia Epidêmica Suína, nos Estados Unidos, os alimentos para animais e os seus ingredientes foram reconhecidos como rotas potenciais para a disseminação transfronteiriça de doenças suínas.

Para determinar a sobrevivência do vírus durante o transporte transoceânico, a meia-vida do vírus foi calculada em nove ingredientes das rações expostos a condições de transporte de 30 dias. A meia-vida variou de 9,6 a 14,2 dias, o que indica que o ambiente da matriz alimentar promove a estabilidade do vírus.

Uma câmara ambiental simulou um transporte transatlântico de 30 dias, com as condições de umidade e temperatura ambiente flutuante a cada 6 horas. Foram adicionados 5 g de cada ingrediente de ração irradiada com raios gamma a tubos cônicos de 50 ml antes de os inocular com 100 µL de 105 doses infecciosas de 50% de cultura tissular (TCID50) do PSAv, Georgia 2007/1.

Os controles negativos consistiram em amostras de ração em forma farelada com 100 µL de solução salina estéril tamponada com fosfato (PBS) adicionada. Os controles positivos consistiram em 5 ml de meio RPMI 1640 sem ração com 100 µL de 105 TCID50 PSAv. Foram organizadas amostras por duplicado em quatro lotes replicados que representaram quatro pontos de tempo e foi simulado o modelo de transporte transatlântico em dois períodos separados de 30 dias. Foram testadas as amostras para PSAv nos dias 1, 8, 17 e 30 pós-contaminação. A primeira amostra foi recolhida 1 dia pós-contaminação para permitir que o vírus estabilizasse dentro de cada matriz. O PSAv foi quantificado por titulação do vírus.

Todas as amostras inoculadas com PSAv mostraram quantidades detectáveis de PSAv infeccioso. A estimativa da meia-vida média no controle positivo RPMI foi mais curta que a de todos os ingredientes analisados: 8,3 + 0,3 dias (IC 95% 7,7-9,0 dias). A meia-vida do vírus foi mais longa na ração completa: 14,2 + 0,8 dias (IC 95%: 12,4-15,9 dias). É de destacar que para o bagaço de soja convencional versus biológico, a meia-vida do PSAv difere em > 3 dias: 9,6 + 0,4 dias (bagaço de soja convencional) e 12,9 + 0,6 dias (bagaço de soja biológico). A relativa estabilidade na ração pode ser o resultado de um conteúdo variável de proteína, gordura ou umidade entre os ingredientes. Em geral, a meia-vida do PSAv em todos os ingredientes da ração para animais foi de 12,2 dias.